apologetica

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Papa Francisco e Luteranos

Cláudio Loureiro
Sat, 22 Oct 2016 01:50:04 GMT

“Creio que as intenções de Martinho Lutero não estivessem erradas: era um reformador. Talvez alguns métodos não fossem certos, mas naquele tempo, se lermos a história do Pastor, por exemplo, um alemão luterano que depois se converteu quando viu a realidade daquele tempo e se tomou católico. Nesse então, a Igreja não era propriamente um modelo a imitar: havia corrupção na Igreja, havia mundanidade, havia apego ao dinheiro e ao poder. E por isso ele protestou. Ele era inteligente e deu um passo avante justificando o porquê fazia isso. E hoje luteranos e católicos, protestantes e todos, estamos de acordo sobre a doutrina da justificação: sobre este ponto tão importante ele não errou. Mas ele proporcionou um remédio para a Igreja, depois este remédio se consolidou em um estado de coisas, numa disciplina, num modo de acreditar, num modo de fazer, de modo litúrgico. Mas não era só ele: havia Zwingli, havia Calvino e quem estava atrás deles? Os princípios, ‘cuius regio eius religio’. Devemos nos inserir na história daquele tempo: é uma história difícil de entender. Não é fá cil. Depois as coisas prosseguiram. Hoje, o diálogo é muito bom e aquele documento sobre a justificação acredito que seja um dos documentos ecumênicos mais ricos, mais ricos e mais profundos, existem divisões, mas dependem também das Igrejas. Em Buenos Aires, havia duas igrejas luteranas: uma pensava de um modo e a outra de outro modo, mesmo na própria Igreja luterana não há unidade. Mas se respeitam, se amam, a diversidade é aquilo que talvez nos tenha feito tanto mal a todos e hoje buscamos retomar o caminho para nos encontrar depois de 500 anos. Eu acredito que devemos rezar juntos: rezar! Por isso a oração é importante. Segundo: trabalhar pelos pobres, pelos perseguidos, por tantas pessoas que sofrem, pelos refugiados. Trabalhar juntos e rezar juntos. E que os teólogos estudem juntos, buscando… Mas este é um caminho longo, longuíssimo. Uma vez, disse brincando: Eu sei quando será o dia da plena unidade – Qual? – Um dia depois da vindo do Filho do Homem! Porque não se sabe… O Espírito Santo fará esta graça. Mas enquanto isso rezar, nos amar e trabalhar juntos, sobretudo pelos pobres, pelas pessoas que sofrem, pela paz e tantas outras coisas, não? Contra a exploração das pessoas... Tantas coisas pelas quais se está trabalhando conjuntamente”. (Fonte: http://www.acidigital.com/noticias/o-que-o-papa-francisco-disse-sobre-lutero-e-a-corrupcao-na-igreja-61889/) Essa resposta a um repórter, do Papa Francisco me chamou bastante atenção no terceiro parágrafo, onde ele disse que Lutero não tinha errado na doutrina da Justificação. Vou ser direto: ele, ao menos aparentemente e materialmente, ele defendeu um erro de Fé? VocÇes conseguem ter outra interpretação?

Alessa
Sun, 23 Oct 2016 03:58:16 GMT

Isso ele deve ter falado por causa daquele documento sobre a justificação que saiu no tempo de João Paulo II, que tenta mostrar os pontos de aproximação entre a Igreja e a comunidade luterana. Acho que é a posição oficial desde aquela época, não é?

Thiago Santos de Moraes
Mon, 24 Oct 2016 00:23:18 GMT

Verdade, Alessa, eu não tinha lembrado desse documento (mas nunca o li totalmente e, na parte que li, não entendi). Seria interessante pesquisar sobre a crítica tradicionalista feita a ele na época do lançamento.

Thiago Santos de Moraes
Mon, 24 Oct 2016 00:34:50 GMT

Olha uma notícia da época (1999): http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft1909199901.htm

Thiago Santos de Moraes
Mon, 24 Oct 2016 01:00:06 GMT

Ou seja, esse é um problema anterior ao papado de Francisco; ele pegou o barco andando e só deu mais corda, mas foram João Paulo II e Bento XVI que o fizeram zarpar.

Paulo Vinícius Costa Oliveira
Tue, 25 Oct 2016 18:01:54 GMT

Um breve artigo da lavra de um tradicionalista a respeito do fato em questão: http://www.fatima.org/port/perspectives/perspective872.asp

illysonantonio
Wed, 26 Oct 2016 13:58:22 GMT

> @claudioloureiro > E hoje luteranos e católicos, protestantes e todos, estamos de acordo sobre a doutrina da justificação: sobre este ponto tão importante ele não errou Mas o papa disse com todas as letras que Lutero não errou. Ele não disse que havia pontos em comum. Além disso, o concílio de Trento não tem uma seção sobre a justificação que condena o luteranismo?

Thiago Santos de Moraes
Thu, 27 Oct 2016 22:15:06 GMT

Condena a justificação como entendida pelos luteranos (pelo menos pela maior parte deles).

Cláudio Loureiro
Sat, 27 Feb 2021 12:15:48 GMT

> Com o acordo, ambas as partes passam a professar que: >- A salvação decorre da graça de Deus e não das boas obras. >- Só se chega à salvação pela fé. >- Embora não levem à salvação, as boas obras são consequência natural da fé. Em outras palavras, *o verdadeiro cristão faz boas obras não para se salvar*, mas como um testemunho de fé. No artigo que Thiago postou acima diz que chegaram a esse acordo aí acima. Vejam a parte que eu grifei, daí pergunto: As boas obras não é só o dinheiro que dou ao pobre ou a comida que dou ao meu vizinho faminto, mas também o cumprimento dos mandamentos. Mas nós devemos cumprir sim os mandamentos para nos salvar, como o Senhor diz nos evangelhos! Qual o malabarismo conciliar que se faz para explicar isso?

ruirmachado
Sat, 27 Feb 2021 14:08:59 GMT

Esse acordo foi um engodo. A igreja luterana não mudou nada de sua doutrina, nem a Católica. O que houve foi um fingimento, algo para boi dormir. Os luteranos continuam acreditando que é a justiça de Cristo que cobre o justificado, e que ele é justo e pecador ao mesmo tempo, e os católicos continuam acreditando que o justificado se torna formalmente justo e na importância das boas obras que procedem da caridade e para o aumento da caridade.

ruirmachado
Sat, 27 Feb 2021 14:13:34 GMT

A graça de Deus nunca foi ponto de discordância. Portanto, dizer que houve acordo a esse respeito é, no mínimo, uma palhaçada.

ruirmachado
Sat, 27 Feb 2021 14:29:04 GMT

Há mais mal-entendidos da parte dos protestantes com respeito aos católicos do que dos católicos em relação aos luteranos. Teólogos protestantes, que são pessoas que deveriam estudar, ler as fontes, conhecer bem Santo Tomás e Santo Agostinho, ensinam por aí que a Igreja Católica derroga a graça de Deus, que defende semipelagianismo, etc. O diálogo é interessante para desfazer esses mal-entendidos, mas que também se resolvem com um bom estudo. Quanto às contribuições teológicas, elas são absorvidas naturalmente. Não é preciso dois teólogos se reunirem em congresso para dialogarem um com o outro. O diálogo se faz naturalmente entre suas obras. Antes do Concílio, por exemplo, a Igreja sempre esteve atenta ao que diziam os teólogos protestantes, fossem os antigos ou os mais recentes. Agora, o preconceito religioso é algo que existe em todas as religiões. Judeus não entendem bem o cristianismo, nem se esforçam para entender. Protestantes também não se esforçam para en tender bem o catolicismo. Católicos fazem acusações contra Lutero que não podem ser provadas. Esse preconceito é algo que faz bem em ser dissipado. Mas se dissipa com bons estudos.