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Santo Tomás de Aquino, escravidão e a misoginia.

gabriel12345
Fri, 05 Feb 2021 14:07:55 GMT

Vi um protestante falando que Santo Tomás apoiava essas práticas. Fontes: http://www.lucasbanzoli.com/2018/11/tomas-de-aquino-e-misoginia-medieval.html http://www.lucasbanzoli.com/2019/04/tomas-de-aquino-e-apologia-da-escravidao.html O que acham disso?

ruirmachado
Fri, 05 Feb 2021 18:52:01 GMT

Leitura enviesada. Eu conheço os textos. A escravidão que Sto. Tomás defendia não era essa coisa desumanizada, mas a sujeição de um homem a outro, fato que, inclusive, ele diz que ocorreria no Éden, caso Adão não tivesse pecado (S. Th., Ia, q.96, a.4). Claro, ele defende castigos corporais, mas também os defende para os filhos rebeldes. Não há razão para pensar que fosse imoderado nessa questão. Quanto à misoginia, tremenda bobagem. A mulher não está em pé de igualdade com o homem, e isso é bíblico. A mulher está sujeita ao senhorio do pai e do marido. Acaso, alguém vai acusar São Paulo de misoginia também? A igualdade de direitos não é uma ideia bíblica, nem cristã. Existe igualdade sim, mas nos direitos essenciais, fundados na natureza humana, que é idêntica em todos. Passando disso, o correto é a desigualdade, fundada nas atribuições, nos méritos e dignidade de cada um.

ruirmachado
Fri, 05 Feb 2021 19:09:38 GMT

Corrigindo: a servidão não se daria no Éden, mas outras formas de sujeição com o emprego da hierarquia e do governo, pelas razões que Sto. Tomás expõe. No entanto, a servidão não exclui a prática da caridade. Dizer que o cristianismo alguma vez advogou a existência da servidão sem caridade é desconhecer profundamente o cristianismo, distorcê-lo no que ele tem de mais essencial. Atualmente, o homem tem tanto amor desordenado pela liberdade, que renega até mesmo ter um Senhor nos céus.

ruirmachado
Fri, 05 Feb 2021 19:27:08 GMT

O mais engraçado disso tudo é um ADVENTISTA, como Lucas Banzoli, que segue preceitos cerimoniais e dietéticos do Antigo Testamento, acusar um santo cristão de haver defendido a escravidão, igualmente sustentada pela lei mosaica. Isso é uma prova do quanto a piada adventista é arbitrária e insustentável.

gabriel12345
Fri, 05 Feb 2021 23:24:46 GMT

Parece que ele não é adventista, porém lee tem uma certa simpatia pelas suas doutrinas, tipo alguns luteranos com a Igreja Católica.

ruirmachado
Fri, 05 Feb 2021 23:53:58 GMT

De qualquer forma, qualquer acusaçào a Santo Tomás nessa questão é acusação a Moisés. Não é que a servidão seja absolutamente incompatível com o espírito cristão, mas a servidão sem caridade sim. Na Enciclopédia Católica, há um artigo que aborda os aspectos éticos da escravidão, que reflete sobre essas questões.

ruirmachado
Sat, 06 Feb 2021 00:37:41 GMT

Não existe qualquer contradição entre o Deus do Antigo Testamento e o Deus do Novo Testamento, do contrário, a Escritura não afirmaria ser Ele o mesmo ontem, hoje e eternamente. Com respeito ao Decálogo, a Igreja sempre entendeu que ele é a expressão máxima da lei natural, tal como percebida pela razão humana e aderida pela consciência. Logo, não há contradição entre a lei mosaica e a lei natural, pelo menos no que concerne aos seus preceitos primários e mais universais. No que diz respeito a certos preceitos secundários, como a indissolubilidade do matrimônio, não há também contradição no que diz respeito à essência da lei, mas à sua aplicação. Mas, veja bem: o divórcio foi legislado em termos de exceção. Nunca foi propósito na lei mosaica, mas a regulação de uma exceção. Já a escravidão é prescrita como norma. Mesmo que fosse o caso da escravidão se dizer abolida pela lei da graça, não poderia ser impugnada como iníqua, posto que toda lei de Deus é boa e santa, inclusive a ab-rogada (Rom 7, 12). Isso mostra também, em relação a outras questões, o quanto o Vaticano II está em erro ao condenar certas coisas como intrinsecamente erradas e fabricar certos "direitos naturais".

ruirmachado
Sat, 06 Feb 2021 02:23:55 GMT

Convém ainda fazer uma última observação sobre os textos do Banzoli. Não os li por inteiro, nem tenho a pretensão de refutá-lo ponto a ponto. Isso me tomaria muito tempo. Mas a estrutura da "Suma Teológica" é a de "disputatio": ou seja, para cada questão, são dadas algumas opiniões contrárias à tese defendida no corpo da questão e, a seguir do corpo da resposta, as respectivas refutações a essas opiniões. Inclusive, no Enem, já caiu uma questão que dava como de Santo Tomás uma dessas opiniões contrárias que ele refuta mais adiante. Em certos casos, a refutação dessas opiniões que não estão no corpo do texto, se citadas isoladamente, podem induzir ao erro ou a um argumento "incompleto". Falta-lhes a contraparte que ajudaria a entender o que se está respondendo. Por exemplo, na questão 60 do Suplemento, *não está dito que o marido pode bater na mulher pura e simplesmente*, como interpreta o Sr. Lucas Banzoli, mas respondendo a um argumento do por que o marido não pode matar a esposa apanhada em adultério.

ruirmachado
Sat, 06 Feb 2021 10:52:08 GMT

Correção: argumentando do por que o marido não pode matar a esposa apanhada em adultério.

ruirmachado
Wed, 10 Feb 2021 03:29:52 GMT

Onde eu escrevi "opiniões contrárias", o mais correto seria dizer "objeções". Na hora, me faltou o termo mais adequado.

Cláudio Loureiro
Mon, 15 Mar 2021 23:59:08 GMT

> @ruirmachado > Isso mostra também, em relação a outras questões, o quanto o Vaticano II está em erro ao condenar certas coisas como intrinsecamente erradas e fabricar certos “direitos naturais”. Onde o CVII fala desses direitos naturais?