apologetica

Open full view…

A santificação do tempo sem a Missa

Thiago Santos de Moraes
Mon, 23 Mar 2020 22:07:55 GMT

102 anos atrás meu bisavô passou pela gripe espanhola aqui em Recife; ele adoeceu, mas não morreu (provavelmente porque foi para uma cidade serrana na Paraíba, onde tísicos eram tratados). De qualquer forma, num moment em que covas coletivas eram abertas na cidade, as missas também foram suspensas. Dada a repetição desse último fato (a suspensão das missas), abro este tópico para compartilharmos maneiras de se santificar o tempo sem a liturgia (em especial a Missa) , no intuito nos ajudar e ajudar a outros.

Thiago Santos de Moraes
Fri, 10 Apr 2020 18:06:43 GMT

[Texto da Via Sacra](https://drive.google.com/file/d/1QGcWnMCO0Evizv_nb7pSwdy0SZwfzgGp/view?usp=sharing)

Thiago Santos de Moraes
Sat, 11 Apr 2020 23:25:10 GMT

[Vigília](https://youtu.be/3eJa6RB3dzI)

Higo Felipe
Sun, 12 Apr 2020 18:01:08 GMT

Caros, até quando é possível cumprir o preceito da comunhão pascal? Onde, a propósito, posso achar mais informações sobre a legislação atualmente vigente para este ponto?

Thiago Santos de Moraes
Mon, 13 Apr 2020 00:40:58 GMT

Devido à Quarentena, em qualquer tempo que você puder comungar. Veja o Cânon 920, parágrafos 1 e 2. Lembre que o tempo da Páscoa vai até o dia de Pentecostes (parece que para o nosso país há uma licença que permite o cumprimento depois dessa data, mas não tenho esse dado agora), mas neste ano isso não importa. Existem dois princípios legais a serem observados aqui: "ultra posse nemo obligator" (ninguém é obrigado a fazer o que está além de suas possibilidades) e "nemo ad impossibilia tenetur" (ninguém é obrigado ao impossível).

Higo Felipe
Mon, 13 Apr 2020 23:48:19 GMT

> @Thiago Santos de Moraes > (parece que para o nosso país há uma licença que permite o cumprimento depois dessa data, mas não tenho esse dado agora) Acho que já vi alhures que vai até São Pedro e São Paulo.

Carlos Ribeiro
Tue, 14 Apr 2020 16:06:40 GMT

> @Thiago Santos de Moraes > Na minha diocese nenhuma Missa está sendo celebrada publicamente desde que a quarentena estadual começou. Oficialmente, aqui também; por isso não posso dizer muito a respeito disso.

Paulo Vinícius Costa Oliveira
Tue, 21 Apr 2020 12:37:35 GMT

Os supermercados estão funcionando, afinal, precisamos nos alimentar. As farmácias estão funcionando, pois precisamos de remédios. Por que então as liturgias com o povo não estão sendo rezadas? Acaso são menos necessárias? Se se tomam precauções em outros lugares públicos, com uso de máscara, desinfecção com álcool em gel e distanciamento entre pessoas, o que impede as igrejas se se adequarem às normas sanitárias, pulverizando o número de fiéis em várias celebrações, limitando a entrada de pessoas ou realizando a ação sagrada à céu aberto? A decisão de ir ou não ficaria ao juízo prudencial do fiel, mas proibir para todos é uma atitude deletéria em todos os seus aspectos.

Paulo Vinícius Costa Oliveira
Tue, 21 Apr 2020 14:01:29 GMT

Aqui, não falo necessariamente de rezar a missa, mas de se usar da inteligência para atingir os fins que se almeja. Fiquei sabendo que a FSSPX estava distribuindo a Sagrada Comunhão a cada 15 minutos, a grupo de 5 pessoas por vez. Ótima iniciativa, dentre outras que podem ser ventiladas.

Thiago Santos de Moraes
Tue, 21 Apr 2020 17:55:57 GMT

As igrejas da FSSPX, a depender do lugar, também estão fechadas, Paulo. Concordo que outras medidas poderiam ser tomadas, mas o juízo prudencial cabe aos pastores, não a nós. Gostemos ou não eles decidiram pelo fechamento, mas até onde sei batizados e confissões, isto é, os dois sacramentos mais necessários para a salvação, podem ser efetivados na maior parte das dioceses, caso se marque com antecedência e se tomem precauções. As restrições a celebrações da Missa com a assembleia - e lembro que mesmo assim elas continuam _culto público_ - podem se tornar a oportunidade de muitas pessoas entenderem que o principal do Santo Sacrifício não é a Comunhão. Na verdade, em certo sentido, é como se voltássemos aos tempos anteriores a São Pio X, em que os fiéis viam simbolicamente a Consagração e faziam sua comunhão espiritual, já que poucas eram as oportunidades para se comungar sacramentalmente.

Paulo Vinícius Costa Oliveira
Tue, 21 Apr 2020 19:11:54 GMT

O que observamos é que os pastores têm errado muito em seu juízo prudencial, já que eles não são infalíveis. Existem, não só bispos como principalmente padres, honrando o sacerdócio e fazendo de tudo pelas suas ovelhas, atendendo confissões em drive-thru, celebrando missas em estacionamentos com as famílias nos carros, e eu sei de um padre que está dando a comunhão mediante agendamento, inclusive. Infelizmente, eles são uma minoria. Não se trata absolutamente de contestar a autoridade, nem de se revoltar de forma pueril, e sim e dizer as coisas como elas são, longe de qualquer gosto pessoal. Até mesmo porque o leigo tem mais espaço para se indignar, posto que nem todos os padres podem falar sem sofrer reprimendas.

Paulo Vinícius Costa Oliveira
Tue, 21 Apr 2020 19:17:20 GMT

P.s.: na prática na minha arquidiocese não está havendo atendimento de confissões, salvo em artigo de morte. Mas cheguei a ler hoje um documento recente da arquidiocese de Florianópolis que proibiu expressamente batizados, pasmem.

Paulo Vinícius Costa Oliveira
Tue, 21 Apr 2020 19:22:15 GMT

P.s. 2: e o que dizer do cardeal-arcebispo de Fátima defendendo a confissão por telefone? E nada se escuta de Roma...

Thiago Santos de Moraes
Tue, 21 Apr 2020 20:30:51 GMT

Bem o que dizer do arcebispo de Fátima é muito fácil: está errado, simples assim. Já teve um nos EUA que chegou a aventar tal possibilidade e foi corrigido pela Conferência Episcopal de lá. Isso só mostra uma formação doutrinal fraca, e não autoriza ninguém a contestar as proibições dele em relação a "missas públicas". Quanto a proibições de batizados e confissões, até onde sei, isso não está espalhado. Por fim, não há nada que me leve a considerar que o juízo prudencial dos pastores está errado. Em primeiro lugar, levando em conta o IV Mandamento, devemos obedecer às autoridades civis em tudo que não vai contra a Lei Natural ou a Revelação; e a proibição, momentânea, de celebrações religiosas por motivos sanitários não se enquadra nessas hipóteses. Em segundo lugar, as autoridades médicas também recomendaram tal atitude para muitos governos (aqui vale ressaltar que comparar atitudes atuais com a de momentos em que se desconhecia a maneira como as doenças se propagavam é uma irracionalidade). Em terceiro, a participação nas missas ou a recepção da Eucaristia não é esse ncial para a salvação, de modo que esse _jejum sacramental_ deveria fazer as pessoas revalorizarem a importância da Comunhão e das celebrações do Santo Sacrifício quando tiverem oportunidade de voltar a contar com eles. A prudência poderia ser alvo de contestação, na minha visão, apenas se muitas outras atividades retornassem ao normal e as celebrações não. PS: Pessoalmente, acho que uma quarentena vertical seria mais adequada para o país, mas mesmo assim, enquanto ela não for alterada, cabe obediência a quem Deus permitiu que tivesse autoridade.

Thiago Santos de Moraes
Sat, 25 Apr 2020 04:49:17 GMT

Mais um ótimo texto publicado pela Permanência: [Meditações de Quarentena](https://boletim.permanencia.org.br/2020/04/10/meditacoes-de-quarentena-com-sao-jose/). Ele ressalta um aspecto para o qual eu não tinha atentado: São José é um modelo para os cristãos em quarentena.

Thiago Santos de Moraes
Sat, 25 Apr 2020 05:04:25 GMT

Trecho que destaco: "Em todo caso, embora tardia, a reflexão se impõe: haveria para nós, nestes dias, melhor modelo de recolhimento do que São José? Isolados em casa, poderia a Providência dar-nos farol mais luminoso que a Luz dos Patriarcas, o Chefe da Casa de Nazaré? Confinados em família, poderíamos recorrer a patrono mais valioso do que àquele que é a Honra da vida doméstica? Se a ordem é nos escondermos, que São José nos obtenha a graça de desejar a vida escondida que ele mesmo viveu. Se, a fiar pelos discursos oficiais, a maior coragem do momento é fugir do inimigo, que busquemos modelo na Fuga para o Egito, cercada de ainda maiores riscos de pobreza, riscos de vida, riscos de futuro incerto. E se nos parecem irrazoáveis as ordens às quais devemos obediência civil, miremos a santa obediência do Esposo da Virgem, guiando-a num burrico, às vésperas do parto, por mais de uma centena de montanhosos quilômetros, para se inscrever num censo muito menos razoável. O fruto bendito da santa obediência civil de São José foi o cumprimento da vontade de Deus, revelada por me io dos profetas, de que o Cristo nascesse em Belém. Que a nossa obediência nos alcance, pela intercessão do Santo Patriarca, os desígnios que a Divina Providência nos revela por meio de nossos incansáveis sacerdotes: maior amor aos Sacramentos; maior fervor nas comunhões; resolução mais firme nos propósitos de emenda; gratidão mais profunda pela graça de vivermos (os que vivemos) às portas de algum oásis da Tradição, quando tantos estão na aridez; maior compaixão pelas almas contaminadas pelo vírus modernista, para as quais a regra de vida é uma inconsciente quarentena em que jejuam comunhões, se isolam dos sacramentos, se distanciam da graça, e tiram de circulação as verdades da Santa Religião."

Thiago Santos de Moraes
Sun, 26 Apr 2020 00:48:18 GMT

D. Athanasius analisa a situação: [A Igreja em tempos de pandemia](https://youtu.be/b9D2KKhP1mg)

Thiago Santos de Moraes
Sat, 16 May 2020 05:53:53 GMT

Não tem como deixar de falar de certas situações que não se relacionam diretamente com a Missa: agora a noite, de meia noite para ser exato, começou o tranca-rua, vulgo "lockdown", aqui em Recife. Depois pretendo comentar mais sobre ele, mas minutos atrás fiquei estarrecido com um vídeo filmado hoje no começo da tarde, em que um oficial da PM confirmava que tanto sua corporação quanto a guarda municipal receberam orientação para parar quem estava vestido de amarelo! Isso é o fim da picada. O governo da cidade e do estado ficaram com medo das possíveis manifestações na véspera do tranca-rua.

Thiago Santos de Moraes
Sat, 16 May 2020 09:16:20 GMT

Só ontem, após o protesto de alguns padres aqui da arquidiocese, governador aditou o decreto do tranca-rua, para incluir "ministros religiosos e equipe técnica que estão se deslocando para a gravação ou transmissão de cerimônias" entre as categorias de pessoas que podem circular de modo menos restrito.

Thiago Santos de Moraes
Sun, 24 May 2020 14:42:24 GMT

Como eu já esperava, após uma semana, está claro que o tranca-rua aqui é meia boca: só funciona nos bairros centrais e de classe média alta. Nos subúrbios a vida corre com menos isolamento, mas com cuidados maiores (quase todos de máscara). É isso, na minha visão, que devia ter sido adotado e cobrado desde o início. Além das missas que não voltaram a ser celebradas com a presença dos fieis, as igrejas protestantes e templos de outras religiões permanecem fechados, algo que me surpreendeu, pois achei que as seitas pentecostais não iam obedecer às determinações do governo. A falta da influência da comunidade faz com que muitos, para não dizer a maior parte, se esqueçam de santificar de alguma forma o domingo, embora os meios para tal sejam abundantes entre os católicos, como venho mostrando neste tópico.

Thiago Santos de Moraes
Thu, 28 May 2020 16:19:04 GMT

[Eucharistic Abstinence under the Divine Interdict](https://youtu.be/lRihzKKDtvY)

next