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Missa Normativa (1967)

Carlos Ribeiro
Tue, 18 Sep 2018 13:16:21 GMT

Quais seriam as diferenças entre esse rito e o de 69? Há na rede mundial de computadores o texto da Missa normativa?

Thiago Santos de Moraes
Fri, 12 Oct 2018 21:00:29 GMT

> @Cláudio Loureiro > Eu tenho o missal de 67. Posso disponibilizar para digitalização. As rubricas de 67, Cláudio, mesmo com as Orações Eucarísticas II, III e IV não é a "Missa Normativa". Pelo que entendo, essa Missa foi um rito experimental, só celebrado pelos liturgistas que fabricaram o Missal de 1969.

Thiago Santos de Moraes
Fri, 12 Oct 2018 21:05:01 GMT

Existe um [testemunho interessante](https://www.capela.org.br/Crise/bugnini.htm) de D. Lefebvre sobre a Missa Normativa: "O mais grave foi a reforma litúrgica. Ela foi operada, sabe-se, por um padre bem conhecido, Bugnini, que tinha preparado isso muito tempo antes. Já em 1955, o Padre Bugnini fez traduzir os textos protestantes por Mons. Pintonello, Capelão Geral do exército italiano, que tinha passado muito tempo na Alemanha durante a ocupação, pois ele próprio não conhecia alemão. Foi Mons. Pintonello que disse a mim mesmo que ele tinha traduzido os livros litúrgicos protestantes para o Padre Bugnini, que naquele momento era um membro menor de uma comissão litúrgica. Ele não era nada. Depois foi professor de liturgia no Latrão. O Papa João XXIII lhe mandou embora por causa de seu modernismo, de seu progressismo. Pois bem, ele tornou-se presidente da Comissão da Reforma da Liturgia. É inacreditável. Eu tive ocasião de constatar eu mesmo a influência do Padre Bugnini. Como isso pôde acontecer em Roma. Eu era, naquele tempo, logo depois do Concílio, superior geral da Congregação dos Padres do Espírito Santo e nós tínhamos, em Roma, uma Associação de superiores gerais. Nós pedimos ao Pe. Bugnini para nos explicar o que era sua nova missa, porque enfim, não era um pequeno acontecimento. Depois do Concílio, logo depois, ouviu-se falar de Missa normativa, Missa nova, novus ordo, o que é isso tudo? Não se falou disso no Concílio. O que está acontecendo? Então nós pedimos ao Pe. Bugnini para explicar ele mesmo aos 84 superiores gerais que se reuniram, entre os quais eu me encontrava. O Padre Bugnini, com muito boa vontade, nos explicou o que era a Missa normativa: vai-se mudar isso, vai-se mudar aquilo, vamos pôr um outro ofertório, poderemos escolher os Canons, poderemos reduzir as orações da Comunhão, poderemos ter muitos esquemas para o final da Missa. Poderemos dizer a Missa em língua vernácula. Nós nos olhávamos dizendo: não é possível! Ele falava exatamente como se nunca tivesse tido uma Missa antes dele. Falava de sua Missa normativa como de uma invenção nova. Pessoalmente, fiquei atônito e mudo, quando, habitualmente, eu tomo com facilidade a palavra para me opor àqueles com os quais não estou de acordo. Não conseguia dizer uma palavra. Não é possível que seja a esse homem que está aí diante de mim que foi confiada toda a reforma da Liturgia Católica, do Santo Sacrifício da Missa, dos Sacramentos, do Breviário, de todas as nossas orações. Aonde vamos nós? Aonde vai a Igreja? Dois superiores gerais tiveram a coragem de se levantar. E um deles questionou o Padre Bugnini: «É uma participação ativa, é uma participação corporal, isto é, orações vocais, ou é a participação espiritual? Em todo caso, o senhor falou tanto da participação dos fiéis, que parece que não se justifica mais a Missa sem fiéis, porque toda a sua Missa foi feita em função da participação dos fiéis. Nós beneditinos, celebramos nossas Missas sem fiéis. Então, devemos continuar a dizer nossas Missas privadas, visto que não temos fiéis que aí participem?» Eu vos repito exatamente o que disse o Pe. Bugnini, eu tenho ainda nos meus ouvidos tanto isso me chocou: «Para falar a verdade, não se pensou nisso», disse ele! Depois um outro se levantou e disse: «Reverendo Padre, o senhor disse: vamos suprimir isso aqui, suprimir aquilo lá, substituir isso por aquilo, e sempre orações mais curtas, eu tenho a impressão que a sua nova Missa vai ser dita em dez, doze minutos, um pequeno quarto de hora, não é razoável, não é respeitoso para um tal ato da Igreja». E ele lhe respondeu isso: «Poder-se-á sempre adicionar qualquer coisa». É sério? Eu ouvi com os meus ouvidos. Se fosse qualquer um que me tivesse contado eu teria quase duvidado, mas eu escutei eu mesmo. Depois, no momento em que essa Missa normativa começou a se realizar, eu estava tão horrorizado que nós fizemos uma pequena reunião com alguns padres, alguns teólogos, de onde saiu o “Breve exame crítico” que foi levado ao Cardeal Ottaviani. Eu presidia essa pequena reunião. Foi dito: «É preciso ir aos cardeais. Não se pode deixar fazer isso sem reagir.» Então fui procurar eu mesmo o secretário de Estado, o Cardeal Cicognani e lhe disse: «Vossa Eminência deixará passar isto? Não é possível. O que é essa nova Missa? É uma revolução na Igreja, uma revolução na liturgia.» O Cardeal Cicognani, que era o Secretário de Estado de Paulo VI, pôs a cabeça entre as mãos e disse-me: «Oh, Monsenhor, eu bem sei: Eu estou de acordo com o senhor, mas o que eu posso fazer ? O Pe. Bugnini pode entrar no escritório do Santo Padre e lhe fazer assinar o que ele quer.» Foi o Cardeal Secretário de Estado que me disse isso! Então, o Secretário de Estado, a personalidade número dois da Igreja depois do Papa, foi posta em estado de inferioridade em relação ao Pe. Bugnini. Ele podia entrar nos aposentos do Papa quando ele queria e lhe fazer assinar o que ele quisesse. Isso pode explicar, então, porque o Papa Paulo VI teria assinado textos que ele não tinha lido. Ele disse isso ao Cardeal Journet, que era um homem muito ponderado, professor na Universidade de Friburgo, na Suiça, um grande teólogo. Quando o cardeal viu essa definição da Missa na Instrução que precede o novo “Ordo”, ele disse: não se pode aceitar essa definição da Missa; é preciso que eu vá a Roma ver o Papa. Ele foi e disse: «Santo Padre, não podeis deixar essa definição, ela é herética. Não podeis continuar a deixar vossa assinatura numa coisa como essa». E o Santo Padre lhe respondeu (o Cardeal Jounet não me disse a mim mesmo, mas a alguém que me repetiu): «Bem, realmente, eu não a li. Eu assinei sem ler.» Evidentemente, se o Pe. Bugnini tinha uma tal influência sobre ele, é possível. Ele dizia ao Santo Padre: «Podeis assinar» «Mas o senhor prestou bem atenção?» — «Sim, vós podeis assinar.»E ele assinou. E isso não passou pelo Santo Ofício. Eu o sei, pois o Cardeal Seper ele mesmo me disse que estava ausente quando o Novo Ordo foi editado e que isso não passou pelo Santo Ofício. Então, foi realmente o Pe. Bugnini que obteve essa assinatura, que contrariou talvez o Papa, nós não sabemos, mas que tinha, sem dúvida alguma, uma influência extraordinária sobre o Santo Padre. Terceiro fato do qual eu fui testemunha a propósito do Pe. Bugnini: na ocasião da permissão que estava sendo dada para a comunhão na mão (mais uma coisa horrível!) eu achei que não podia deixar passar isso. É preciso que eu vá ver o Cardeal Guth – um suiço – que era prefeito da Congregação do Culto. Eu fui então a Roma, onde o Cardeal Guth me recebeu muito amavelmente, e imediatamente me disse: «Eu vou fazer entrar o meu segundo, o Arcebispo Antonini, afim de que ele possa ouvir o que o senhor diz.» E nós conversamos. Eu disse: «Escute, o senhor que é responsável pela Congregação do Culto, não pode deixar publicar esse decreto autorizando a comunhão na mão. Imagine todos os sacrilégios que isso vai representar. Imagine a falta de respeito pela Santa Eucaristia que vai se espalhar em toda a Igreja. É inadmissível, o senhor não pode deixar fazer algo assim. Já os padres começam a dar a comunhão dessa maneira. É preciso parar isso imediatamente. E com essa nova missa eles pegam sempre o pequeno cânon, o segundo, que é muito breve». A esse propósito, o Cardeal Guth disse a Mons. Antonini: «Veja, eu disse que isso aconteceria, que os padres pegariam o cânon mais curto, para ir mais rápido, para acabar mais rápido com a Missa». Depois o Cardeal Guth me disse: – «Monsenhor, se pedissem minha opinião (quando ele dizia "pedissem", era ao Papa que ele se referia, porque só o Papa era seu superior), mas eu não estou certo que vão me pedir (ele que era Prefeito da Congregação do Culto, encarregado de tudo que era ligado ao culto e a liturgia!), eu me poria de joelhos, Monsenhor, diante do Papa e lhe diria: Santo Padre, não faça isso, não assine esse decreto! Eu me poria de joelhos, Monsenhor. Mas eu não sei se me interrogarão pois não sou eu que mando aqui». Isso eu ouvi com meus ouvidos. Ele fazia alusão a Bugnini, que era o terceiro na Congregação do Culto. Havia o Cardeal Guth, o Arcebispo Antonini e o Pde. Bugnini, presidente da Comissão de Liturgia. É preciso ter escutado isso! É preciso compreender também minha atitude quando me dizem: o senhor é um dissidente, um desobediente, um rebelde."

Carlos Ribeiro
Mon, 15 Oct 2018 13:37:57 GMT

Pelo que entendo é isso mesmo. Esse testemunho de D. Lefebvre eu conheço; o famoso "não se falou disso no Concílio". [Aqui](https://scutumfidei.org/2013/10/28/o-cardeal-heenan-e-a-missa-normativa/) um trecho de Michael Davis citando o Cardeal Heenan sobre a Missa Normativa. Ele (Davis) diz que é substancialmente o mesmo rito de 69. O que me resta agora é descobrir a diferença (elogiada pelo Cardeal Ottaviani) entre o Missal promulgado em abril de 69 e o que foi usado em 70.

Thiago Santos de Moraes
Mon, 15 Oct 2018 19:07:37 GMT

Acho que não tem nada, fora uma ou outra correção acidental que Arnaldo Xavier da Silveira elenca no seu clássico trabalho. Penso que o Cardeal ficou condicionado pela sua formação e não teve ímpeto de seguir adiante (o que é compreensível pela idade e cegueira).

Carlos Ribeiro
Thu, 18 Oct 2018 12:20:18 GMT

Pelo que encontrei, as "grandes" mudanças se deram na IGMR – Instrução do Missal; o número 7 seria um dos mais problemáticos, que foi apenas emendado na segunda edição. O trabalho de Xavier da Silveira me parece ter abordado apenas a primeira versão da _Institutio_ (como ele chama a IGMR).

Thiago Santos de Moraes
Sat, 20 Oct 2018 00:01:05 GMT

Não, há um complemento no qual ele analisa as primeiras modificações, mostrando que elas são meramente cosméticas.

Carlos Ribeiro
Sat, 20 Oct 2018 01:03:22 GMT

Você sabe onde encontro isso?

Thiago Santos de Moraes
Sat, 20 Oct 2018 01:29:42 GMT

Aqui: https://www.missatridentina.com.br/index.php/material-de-apoio-sp-473651883/material-de-apoio/53-consideracoes-sobre-o-ordo-missae-de-paulo-vi-arnaldo-xavier-da-silveira-agora-com-o-anexo-qmodificacoes-introduzidas-no-ordo-de-1969-digitalizada/file

Thiago Santos de Moraes
Sat, 20 Oct 2018 01:34:30 GMT

Veja da página 146 em diante. Fui eu que mandei isso para Paulo Frade alguns anos atrás.

Carlos Ribeiro
Sat, 20 Oct 2018 01:38:59 GMT

:o Eu não conhecia esse apêndice. Você é pica das galáxias, Thiago!

luanvitorsb
Sat, 24 Aug 2019 16:39:47 GMT

https://gloria.tv/text/evsZxvdNVbqL1YRYB2NaR1kUD

Carlos Ribeiro
Mon, 26 Aug 2019 12:39:17 GMT

Esse é o Ordinário com as rubricas decorrentes da instrução _Inter Oecumenici_.

Carlos Ribeiro
Tue, 31 Dec 2019 16:51:35 GMT

Thiago, e a história de que a TFP negociou o engavetamento do livro do Dr. Arnaldo pelo livre acesso às paróquias paulistanas, o que você sabe e diz sobre isso?

Thiago Santos de Moraes
Fri, 10 Jan 2020 06:49:45 GMT

Só conheço o que circula na internet, vide fofocas montfórticas; segundo elas, o ponto negociado não seria acesso a paróquias paulistanas, mas a não condenação pela CNBB.

Carlos Ribeiro
Fri, 10 Jan 2020 12:44:06 GMT

Há uns anos eu li que seria para os membros da TFP irem às Missas de rito paulino apenas para a comunhão (como o próprio Orlando Fedeli, membro da TFP na época da suposta negociação, fez por algum tempo). Eu acho que o Dr. Arnaldo chegou a desmentir isso em seu sítio (e dar suas próprias razões), mas depois que ele faleceu o sítio foi tirado do ar.

Thiago Santos de Moraes
Fri, 10 Jan 2020 20:03:09 GMT

Para se ir numa Missa e receber apenas a Comunhão não é necessário nada além das condições para comungar, então isso não faz sentido.

Carlos Ribeiro
Sun, 12 Jan 2020 22:10:55 GMT

No conhecido sítio tefepista [O Príncipe dos Cruzados](http://www.oprincipedoscruzados.com.br/2015/01/drplinio-e-sua-posicao-profetica.html), há menção a "episódios dolorosos como o do Sr. Bispo de Nova Friburgo [Dom Isnard], que determinou a recusa da Comunhão Eucarística a sócios ou militantes da TFP, quando se apresentassem de modo notório, incorporados ou com as respectivas insígnias, bem como a fatos mais ou menos análogos ocorridos em igrejas de outros locais do Brasil".

Thiago Santos de Moraes
Tue, 14 Jan 2020 08:06:17 GMT

Nunca tive contato nenhum padre que tivesse feito algo assim; D. Isnard não pode ser considerado representativo, pois mesmos nos círculos modernistas era considerao um extremista (eu o conheci pessoalmente).

Carlos Ribeiro
Fri, 05 Mar 2021 21:50:23 GMT

> @Carlos Ribeiro > No conhecido sítio tefepista O Príncipe dos Cruzados Neste mesmo texto se diz que o livro não foi publicado porque o Cardeal Vicente Scherer, Arcebispo de Porto Alegre, teria pedido de joelhos a D. Mayer por causa da primeira parte do livro, que diz que um Papa pode cair em heresia. Ele teria ficado com medo da desordem advinda disto.

Carlos Ribeiro
Sat, 06 Mar 2021 01:11:54 GMT

> @Carlos Ribeiro > o Cardeal Vicente Scherer, Arcebispo de Porto Alegre, teria pedido de joelhos a D. Mayer O "de joelhos" é metafórico, pois teria sido por carta; teria dito que pediria de joelhos se precisasse.

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