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Por que o Tríduo não é de guarda?

Thiago Santos de Moraes
Sat, 26 Mar 2016 01:44:17 GMT

Por que o momento mais importante do culto católico, o Tríduo Pascal, não é de participação obrigatória? Esta é uma das maiores incongruências que vejo na liturgia (em sentido amplo, independente de rito) da Igreja.

Thiago Santos de Moraes
Tue, 12 Apr 2016 04:01:41 GMT

> @Karlos Guedes > Imagina essas celebrações no interior, como o povo com dificuldade de cumprir o preceito do Tríduo, como iria cumprir o preceito pascal no domingo? Nesses casos, Karlos, o não cumprimento da obrigação não acarreta pecado, ou seja, se o Tríduo fosse obrigatório as pessoas nesse contexto não seriam prejudicadas.

Thiago Santos de Moraes
Tue, 12 Apr 2016 04:07:34 GMT

De qualquer forma, talvez seja esse mesmo o argumento usado para ele não ser obrigatório.

Carlos Ribeiro
Sat, 06 Jan 2018 02:08:08 GMT

Eu acho que a explicação não se dá pelo "espaço", mas pelo "tempo": um dia de preceito é um *dia* (e sua véspera pós meio-dia), mas as celebrações do Tríduo se dão num *horário* do dia, e não podem ser compensadas em outra Missa se se perde um trecho, cumpridas na véspera, etc. Por último, um dos três elementos (Paixão) nem Missa é; como disciplinar aí a obrigação de se ouvir uma Missa (ofertório até comunhão do Padre ou inteira)? E aí se repete a questão da véspera: na dos Santos Óleos cumprir a do Mandato, na do Mandato cumprir a Paixão, na da Paixão (que não é Missa) cumprir a da Vigília, etc.

Thiago Santos de Moraes
Fri, 12 Jan 2018 21:51:19 GMT

Bem colocado, Carlos. Eu não tinha pensado nesses aspectos.

Higo Felipe
Tue, 10 Apr 2018 02:27:46 GMT

Segundo este [link](https://www.catholicculture.org/culture/liturgicalyear/activities/view.cfm?id=1059) o Tríduo foi preceito até 1642, mas deixou de sê-lo, exatamente por causa da já presente secularização dos povos.

Higo Felipe
Wed, 11 Apr 2018 01:31:06 GMT

> @Karlos Guedes > E o tríduo só pode ser celebrado na matriz. Qual a referência dessa informação, Karlos?

Carlos Ribeiro
Wed, 11 Apr 2018 18:53:46 GMT

O texto não dá muita informação infelizmente, mas deu uma ótima pista (que eu ignorava completamente). Ainda quero googlear mais; não achei o texto da Constituição _Universa per orbem_, 13/09/1642, mas ela parece ter reduzido os dias de preceito de modo geral, entre eles a Vigília ou a Semana Santa (não achei Tríduo). Outras questões/problemas são a antecipação da Vigília para a manhã do sábado e o jejum apostólico numa possível Vigília não antecipada.

Thiago Santos de Moraes
Wed, 22 Aug 2018 18:38:30 GMT

Estou pesquisando para futuramente fazer uma contestação do novo modismo doido da tradilândia, que é colocar problemas nas reformas da Semana Santa feitas por Pio XII, e encontrei no decreto da Congregação dos Ritos de 16 de novembro de 1955 que a consolidou (_Maxima redemptionis nostrae mysteria_) uma referência ao que estamos debatendo aqui, leiam (em inglês): "In more recent times, moreover, another change took place and this most serious from a pastoral point of view. For many centuries the Thursday, Friday, and Saturday of Holy Week were numbered among the festive days, with the manifest purpose that the whole Christian people, freed from servile works, might be present at the sacred ceremonies of these days. But in the course of the seventeenth century the Roman Pontiffs themselves were compelled – on account of the completely changed conditions of society – to reduce the number of festive days. Urban VIII, therefore, in the Apostolic Constitution, “Universa per orbem,” of September 24, 1642, was constrained to list the sacred triduum of Holy Week also among the f erial days, and no longer among the festive days. From that time the attendance of the faithful at these sacred rites necessarily decreased, especially because their celebration had long since been put back into the morning hours when, on weekdays, schools, businesses, and public affairs of all kinds were and are conducted everywhere. In fact, common and almost universal experience teaches that these liturgical services of the sacred triduum are often performed by the clergy with the body of the church nearly deserted."

Higo Felipe
Sun, 25 Nov 2018 20:02:21 GMT

> @Thiago Santos de Moraes > From that time the attendance of the faithful at these sacred rites necessarily decreased, especially because their celebration had long since been put back into the morning hours when, on weekdays, schools, businesses, and public affairs of all kinds were and are conducted everywhere. In fact, common and almost universal experience teaches that these liturgical services of the sacred triduum are often performed by the clergy with the body of the church nearly deserted.” Li relatos da época que falavam de templos lotados durante os serviços litúrgicos segundo as reformas de Pio XII. Também li (não lembro onde, exatamente) que depois de um tempo houve um arrefecimento da frequência dos fieis, mas aí não sei se é possível dizer que houve uma relação de causa-efeito.

Thiago Santos de Moraes
Wed, 28 Nov 2018 00:30:07 GMT

Se houvesse, o esvaziamento teria sido quase automático, como no Novus Ordo. Esse decreto que citei é bem assertivo quanto ao quadro que cercava as cerimônias.

Higo Felipe
Mon, 04 Mar 2019 03:47:32 GMT

> @Thiago Santos de Moraes > Estou pesquisando para futuramente fazer uma contestação do novo modismo doido da tradilândia, que é colocar problemas nas reformas da Semana Santa feitas por Pio XII E não é que as críticas já chegaram ao Breviário de São Pio X? Já teve até artigo do Peter Kwasniewski, famoso apologista do rito tradicional, no New Liturgical Movement tocando nas supostas problemáticas dessas rubricas do Papa Sarto...

Thiago Santos de Moraes
Mon, 04 Mar 2019 06:28:56 GMT

Isso já é até meio antigo, Higo, só não se tornou ainda um modismo. E sobre a Missa, na Europa tem quem celebre com as rubricas de Leão XIII... é a tradilândia inventando a _teologia da desobediência sistemática_. Veja, por outro lado, que eu não nego que se possa fazer críticas científicas ao que quer que seja, mas daí a reviver formas acidentais abolidas sem a autorização das autoridades me parece uma extrapolação

Carlos Ribeiro
Sat, 30 Mar 2019 06:36:53 GMT

Thiago mesmo já falou disso [aqui](https://www.forumapologetica.net.br/p/blog-page_3.html#!/liturgia:liturgia-das-horas/so-um-ultimo-comentario-ex) e no comentário seguinte. D. Athanasius, [recentemente](https://fratresinunum.com/2019/03/28/sobre-a-questao-de-um-papa-herege/), também comentou o caso: >Nos últimos cem anos, houve alguns exemplos espetaculares de absolutismo papal. Quando consideramos a lex orandi, as mudanças feitas pelos papas Pio X, Pio XII e Paulo VI foram drásticas e radicais e, no que diz respeito à lex credendi, pelo Papa Francisco. >Pio X tornou-se o primeiro papa na história da Igreja Latina a realizar uma reforma tão radical do Salterio (cursus psalmorum), que levou à construção de um novo tipo de ofício divino no que diz respeito à distribuição dos salmos.

Paulo Vinícius Costa Oliveira
Mon, 15 Apr 2019 17:43:38 GMT

Estive pensando. Sexta-feira da Paixão não há missa, logo, não se pode preceituar a assistência dos fiéis de um ato que missa não é (o mandamento da Igreja manda ouvir *missa*). A Vigília Pascal, por grandiosa que é, ainda continua sendo uma vigília, logo, é fora de todo costume ser preceito dentro do que historicamente manda a Igreja. Resta a Quinta _in Coena Domini_, esta sim, penso particularmente que deveria ser preceito.

Thiago Santos de Moraes
Tue, 16 Apr 2019 02:27:09 GMT

A Vigília é seguida imediatamente por uma Missa, então, na prática, uma coisa leva à outra; e embora não seja Missa, o ritual da sexta faz parte de um complexo que poderia perfeitamente o tornar obrigatório.

Thiago Santos de Moraes
Tue, 16 Apr 2019 02:56:41 GMT

Vale lembrar que o Tríduo era de preceito até 1624, quando sua obrigatoriedade foi abolida na Constituição _Universa per orbem_ de Urbano VIII.

Karlos Guedes
Wed, 17 Apr 2019 15:35:16 GMT

e o que ele argumenta?

Thiago Santos de Moraes
Tue, 22 Oct 2019 01:44:20 GMT

Não sei, mas essa informação está contida na obra _Liturgy of the Roman Church_ (London: Longmans, Green & Co., 1957) de Archdale A. King. Pelo contexto em que esse autor colocou o dado, acredito que seja porque a maior parte das pessoas não tinham mesmo a possibilidade de participar do Tríduo, seja por falta de celebrações, seja pelo horário.

Karlos Guedes
Sat, 26 Oct 2019 01:45:55 GMT

Não faz sentido para mim porque num caso desses a pessoa não vai não é pecado

Thiago Santos de Moraes
Sat, 26 Oct 2019 08:02:15 GMT

Pois eu acho que faz, pois assim, em especial nessa época, se tirava o peso psicológico de não participar de um conjunto tão importante de cerimônias.

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