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Reforma do Breviário de São Pio X vs. Reforma da Missa de Paulo VI

Cláudio Loureiro
Sun, 21 Feb 2021 00:56:39 GMT

Sabemos que São Pio X reformou os salmos das matinas, mexendo em salmos que eram rezados desde antes dos tempos dos Apóstolos nas sinagogas, ou seja, era um costume imemorial. São Pio X mexeu nisso. Paulo VI reformou (ou deformou) o rito romano em todos os sacramentos. Também mexeu em orações imemoriais, excluiu ordens menores usadas desde os tempos apostólicos e acabou com o ethos católico no ocidente que estava em pleno crescimento desde Leão XIII. Ambas as decisões mexeram em tradições imemoriais, coisa que nenhum papa antes deles ousou mexer nisso. Porque é lícito resistir ao segundo, mas não ao primeiro?

Thiago Santos de Moraes
Sun, 21 Feb 2021 01:19:41 GMT

São Pio X fez mais até, pois ele não só excluiu certos Salmos (não sei se das Matinas ou das Laudes), mas modificou todo o esquema. A consciência em torno desse assunto vem crescendo nos últimos anos, vide, por exemplo, declarações de D. Athanasius Schneider sobre a quebra que as reformas de São Pio X no Breviário ocasionou. Por isso, em certos círculos tradicionalistas de leigos se recomenda, para quem reza o Grande Ofício, o uso da versão beneditina, que é fiel ao que foi legado pela tradição. Por outro lado, quem não vê problema ensina que a reforma do citado Papa só fez as coisas voltarem ao seu lugar, isto é, permitiu que todos os Salmos fossem recitados semanalmente, o que era impossível na versão anterior do Ofício Romano. E a recitação semanal é a maior característica do Grande Ofício no Ocidente. Também alegam que ele foi santo e que suas reformas deram bom fruto, ao contrário do que ocorreu com as de Paulo VI. Veja esse texto do Pe. Cekada sobre o assunto: [O Centenário da Divino Afflatu e a Reforma do Breviário de São Pio X: Uma Apreciação Pessoal](https:// controversiacatolica.wpcomstaging.com/2019/11/17/o-centenario-da-divino-afflatu-e-a-reforma-do-breviario-de-sao-pio-x-uma-apreciacao-pessoal/) Não tenho opinião formada sobre o tema, mas o uso com frequência para mostrar o perigo da mentalidade de quem advoga a Semana Santa anterior a Pio XII, pois nesse marco, teríamos de voltar a usar os livros litúrgicos do tempo de Leão XIII.

Cláudio Loureiro
Sun, 21 Feb 2021 01:38:40 GMT

Muito bom esse artigo. Ele mostra que papas anteriores, e santos inclusive, já tinham modificado a estrutura dos salmos.

Carlos Ribeiro
Tue, 23 Feb 2021 13:03:55 GMT

Eu tentei começar uma discussão sobre isso [aqui](https://www.forumapologetica.net.br/p/blog-page_3.html#!/liturgia:liturgia-das-horas/alguem-sabe-onde-e-possivel), mas não foi pra frente. Muitos tradicionalistas invocam a __Quo primum_ para dizer que a reforma de Paulo VI é ilícita, mas ignoram que a _Quod a nobis_ usa os mesmos termos para o Ofício Divino, fazendo com que as reformas de São Pio X padeçam do mesmo problema.

Cláudio Loureiro
Tue, 23 Feb 2021 13:11:45 GMT

Achei ela em espanhol [aqui](https://pt.scribd.com/doc/232855384/PIO-v-Bula-Quod-a-Nobis) , Carlos.

Cláudio Loureiro
Tue, 23 Feb 2021 13:13:50 GMT

"Despue s de haber prohibido , como hemos di - cho, todo uso cualquiera por este nuestro breviario y fórmula de orar y cantar en todas las iglesias del mundo, monasterios, órdenes y lugares esentos , en los que hay obligación ó costumbre de recitar el oficio según el rito y forma de la Iglesia romana, salva la referida institución que esceda los dichos doscientos años ; mandamos y establecem os que se observe este breviario y que en ningún tiempo se pueda variar , añadir , ni quitar nuda en todo ó en parte"

Paulo Vinícius Costa Oliveira
Tue, 23 Feb 2021 15:23:05 GMT

> @Carlos Ribeiro > Muitos tradicionalistas invocam a Quo primum para dizer que a reforma de Paulo VI é ilícita, mas ignoram que a Quod a nobis usa os mesmos termos para o Ofício Divino Mas o fato é que Paulo VI acabou não observando a equanimidade, o que parece que não ocorreu com S. Pio X. Pois mais do que uma questão estritamente legal, há que se ver as razões mais profundas das mudanças e qual o espírito que animou a mente do legislador.

Carlos Ribeiro
Tue, 23 Feb 2021 16:59:03 GMT

> @Cláudio Loureiro > Achei ela em espanhol aqui , Carlos. Obrigado, Cláudio! > @Cláudio Loureiro > mandamos y establecem os que se observe este breviario y que *en ningún tiempo se pueda variar*, añadir , ni quitar *n[a]da en todo ó en parte*. [...] desde agora e perpetuamente...

Carlos Ribeiro
Tue, 23 Feb 2021 17:14:46 GMT

> @Paulo Vinícius Costa Oliveira > Pois mais do que uma questão estritamente legal Esse comentário reforça o que eu disse em outro tópico sobre o direto canônico não obrigar consciência e permitir dispensa. Voltando, esse era o [sentido do texto que li](https://www.forumapologetica.net.br/p/blog-page_3.html#!/liturgia:liturgia-das-horas/paulo-vinicius-costa-oli_5) na Permanência. Pe. Dulac admite o princípio de que “um par não tem poder sobre seu par” (o que é defendido por neoconservadores), mas diz que precisa haver razões gravíssimas (“as mesmas que teriam decidido o seu predecessor a voltar ele mesmo sobre suas próprias ordens”) para usar a faculdade de desligar o que um predecessor ligou (como tradicionalistas admitem na prática, mas quase nunca na teoria – o que valeria para as reformas de São Pio X, mas dificilmente para as de João XXIII).

Carlos Ribeiro
Tue, 23 Feb 2021 17:22:14 GMT

> @Carlos Ribeiro > tradicionalistas admitem na prática, mas quase nunca na teoria Eu vejo mais sentido em elencar a gravidade das razões do que a licitude das formas, mas é bem comum se usar esse caminho para declarar a ilicitude e não precisar confrontar o conteúdo. Sinto um medo do sedevecantismo por quem toma essa via, pois se não há validade, não tem valor vinculante, e não há desvio da Fé.

Paulo Vinícius Costa Oliveira
Tue, 23 Feb 2021 17:59:06 GMT

> @Paulo Vinícius Costa Oliveira > equanimidade ERRATA: leia-se _equidade_ onde escrevi _equanimidade_.

Cláudio Loureiro
Tue, 23 Feb 2021 23:17:08 GMT

> @Paulo Vinícius Costa Oliveira > Pois mais do que uma questão estritamente legal, há que se ver as razões mais profundas das mudanças e qual o espírito que animou a mente do legislador. Mas como analisar isso de forma objetiva?

Paulo Vinícius Costa Oliveira
Sat, 27 Mar 2021 22:26:11 GMT

> @Cláudio Loureiro > Mas como analisar isso de forma objetiva? Um exemplo é o que fez o mesmo Arnaldo Xavier da Silveira nas suas _Considerações_, ao esquadrinhar o NOM e sua IGMR. Daí que termina o livro sentenciando seu _non possumus_: "não podemos aceitar a missa nova".