apologetica

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A Virgem Santíssima e os dons preternaturais

rafaelalvesferreira
Mon, 18 Jul 2016 14:13:27 GMT

Algumas dúvidas que se me colocam há certo tempo e gostaria das respostas dos irmãos para tentar me ajudar. Sendo a Virgem isenta do Pecado Original, a Mesma possuía os dons preternaturais perdidos por nossos pais? Ela tinha consciência de tal coisa? e a respeita da sua "morte" ainda é uma questão em aberto aos teólogos? Desde já agradeço pelas respostas. Salve Maria!

Karlos Guedes
Tue, 26 Jul 2016 16:37:34 GMT

Cristo é Deus, Rafael. O Santo falava dos meros homens.

Thiago Santos de Moraes
Tue, 26 Jul 2016 19:43:56 GMT

Jolivet fala sobre isso onde, Karlos?

Karlos Guedes
Wed, 27 Jul 2016 00:42:25 GMT

No tratado de metafísica, né!

Karlos Guedes
Wed, 27 Jul 2016 00:53:02 GMT

Tratado de Filosofia III, 174ss. Mas pelo _Vocabulário de Filosofia_, do mesmo autor: *Essência*: "Conjunto de determinações que faz com que uma coisa seja o que é e se distinga de outra qualquer". *Natureza*: "A essência de um ser considerada como princípio de operação". A essência tem uma relação com a existência de potência e ato.

guvan
Wed, 27 Jul 2016 01:50:46 GMT

S. Tomás trata da aproximação dos termos em o Ente e a Essência (mas me parecem ser sinônimos possiveis, dependendo da acepção): "E como aquilo pelo qual uma coisa se estabelece no seu género ou espécie própria é o que é significado pela definição ao enunciar o que uma coisa é, os filósofos substituíram o termo ‘essência’ pelo de ‘quididade’. É o que o FILÓSOFO frequentemente de- nomina ‘aquilo que algo era ser’, quer dizer, o que faz com que uma coisa seja aquilo que é. Também se chama ‘forma’ pelo facto de que pela forma se significa a certeza de cada coisa, segundo diz AVICENA no livro II da sua Metafísica. Dá-se-lhe ainda um outro nome, o de ‘natureza’, tomando ‘natureza’ no primeiro dos quatro sentidos distinguidos por BOÉCIO na obra As Duas Naturezas: ou seja, enquanto por ‘natureza’ se diz tudo o que, seja como for, o intelecto pode captar. Efectivamente, apenas pela definição e pela sua essência é que algo se torna inteligível. E assim, também o FILÓSOFO diz, no livro V da Metafísica, que toda a substância é natureza. No entanto, o no me ‘natureza’, nesta acepção, parece significar, a essência de uma coisa enquanto mantém uma relação com a própria actividade, uma vez que nada é desprovido de uma actividade própria. Quanto ao nome ‘quididade’, ele é tirado da- quilo que se significa pela definição. Já ‘essência’ diz que, por ela e nela, o ente recebe o ser".

Karlos Guedes
Wed, 27 Jul 2016 02:26:23 GMT

São tomados como sinônimos, mas não são.

Carlos Ribeiro
Fri, 05 Jan 2018 17:18:10 GMT

> @Karlos Guedes > Evidentemente não está errado dizer que as três Pessoas divinas têm a mesma substância, mas precisamente, por serem Pessoas distintas, são também substâncias distintas. Por isso existe a noção de substância primeira e segunda. As três Pessoas são a mesma segundo a substância segunda e são três como substância primeira que é o indivíduo subsistente. Tomei a liberdade de tirar uma dúvida com o prof. Nougué quanto a essa postagem; segue a resposta: “São o mesmo tanto segundo a substância primeira como segundo a segunda. As 3 Pessoas são-no enquanto são relações hipostasiadas. A substância primeira é o que subsiste: e as 3 Pessoas subsistem unamente; a substância segunda é a essência, e as 3 Pessoas têm a mesma essência: ser. Não se resolve o mistério dizendo o que diz seu amigo. Se fossem três pessoas como 3 substâncias primeiras, teríamos um politeísmo, e a essência segunda o seria de 3 indivíduos de uma espécie, o que é absurdo. O mistério é o m istério, e devemos contentar-nos com a explicitação das 3 relaçôes hipostasiadas, sem querer demonstrar a Trindade. É indemonstrável, justo porque é artigo de fé.”

Carlos Ribeiro
Sat, 17 Mar 2018 02:27:46 GMT

Quanto às perguntas do tópico em si, dos dons preternaturais (*a*)imortalidade, *b*)impassibilidade, *c*)integridade e *d*)ciência infusa), que nossos primeiros pais Adão e Eva receberam, NEM MESMO O CRISTO - novo Adão - teve os dois primeiros - sofreu e morreu (não *a* e não *b*), pois a própria natureza humana estava ferida; donde a Virgem - nova Eva - sofreu (não *b*) na alma o que o Cristo no corpo - [e nos mereceu ex congruo o que o Cristo nos mereceu ex condigno](http://www.forumapologetica.net.br/p/blog-page_3.html#!/teologia-dogmatica:ex-congruo-ex-condigno) - e, logo, provavelmente, morreu (não *a*) antes de ser assunta ao Céu. O Cristo obviamente tinha integridade (*c*) e Sto Tomás defende que teve ciência infusa (*d*), pois é Mestre dos mestres, possuindo em ato a ciência do necessário advinda de Sua natureza divina. Quanto à integridade da Virgem, Sto Tomás defende que Ela não foi isenta da concupiscência, mas que nela a concupiscência estava selada, trancada (*c*). Já quanto à ciência infusa (*d*) na Virgem, aparentemente não haveria necessidade, pois Ela nã o ensinaria o Cristo, mas sendo cumulada de imensas graças, é crível que tenha recebido, quanto possível, mais bens que a primeira Eva, excetuando-se, repetindo, *a* e *b*.

Carlos Ribeiro
Sat, 17 Mar 2018 02:44:05 GMT

Apesar de não ensinar o Cristo, é admissível que Maria seja nossa mestra (*d*). Aliás, a Liturgia da Imaculada Conceição apresenta na Epístola a própria Sabedoria - aprovando expressões de santos como S. Luís de Montfort: Cristo é a Sabedoria eterna incriada; Maria é a Sabedoria criada.

Carlos Ribeiro
Fri, 22 Nov 2019 13:39:03 GMT

Descobri que Tanquerey lista apenas três dons preternaturais. Parece-me que da própria Escritura se depreende quatro. De todo modo, Garrigou-Lagrange lista quatro.

Karlos Guedes
Fri, 22 Nov 2019 23:17:08 GMT

Quais seriam?

Carlos Ribeiro
Mon, 25 Nov 2019 02:33:27 GMT

Tanquerey lista a ciência infusa, o domínio das paixões ou a isenção da concupiscência, a imortalidade do corpo. Mas eu acho que ele misturou as paixões do corpo (dor, temor, frio, doenças, etc.) com a paixão da concupiscência. Garrigou-Lagrange fala em imunidade à morte, à dor, à concupiscência e à ignorância. Em Adão talvez seja mais difícil destacar a impassibilidade (a nudez pode tanto indicar que não sofria as intempéries físicas do mundo, quanto que não tinha a vergonha mencionada após a Queda), mas em Cristo me parece óbvio: Cristo não tinha concupiscência mas tinha os sofrimentos do corpo, tinha integridade, mas não tinha impassibilidade.

Karlos Guedes
Mon, 25 Nov 2019 16:45:52 GMT

NEle isso se deu por causa de sua missão: morrer na cruz em sacrifício expiatório pelos pecados. Eu particularmente não sei por que o homem não poderia ser imortal por natureza, necessitando, para isso, de um dom. Falo isso por pura metafísica. Se a alma espiritual é a forma do corpo por q haveria morte, se a forma, nesse caso, não definha?

Carlos Ribeiro
Mon, 25 Nov 2019 19:26:03 GMT

Em Cristo, isso se deu *para* Sua missão, mas *porque* Ele assumiu nossa natureza (Hb IV, 15). Sto Tomás menciona explicitamente a passibilidade de Cristo: "é necessário que, conformes com Cristo, a sua passibilidade perdure nos nossos corpos, para merecermos a impassibilidade de glória" (Ia-IIæ, q. 85, a. 5, ad 2m) A não imortalidade do homem se deve à corruptibilidade da matéria; Sto Tomás o diz no a.6 da mesma questão acima: "Deus porém, a quem está sujeita toda a natureza, supriu, na instituição do homem, essa deficiência da natureza, dando ao corpo uma certa incorruptibilidade, pelo dom da justiça original".

Karlos Guedes
Tue, 26 Nov 2019 12:36:07 GMT

Eu sei a explicação de Santo Tomás. Entretanto ela simplesmente não me convence, como eu citei acima.

Thiago Santos de Moraes
Tue, 26 Nov 2019 17:25:35 GMT

Não sei como ela poderia ser melhor.

Karlos Guedes
Tue, 26 Nov 2019 19:54:08 GMT

> @Karlos Guedes > Falo isso por pura metafísica. Se a alma espiritual é a forma do corpo por q haveria morte, se a forma, nesse caso, não definha? refutado isso

Carlos Ribeiro
Wed, 27 Nov 2019 12:20:42 GMT

A corruptibilidade da matéria leva à morte. Mesmo no estado atual a alma não definha ontologicamente; o pecado não é uma mudança substancial na alma, mas apenas acidental.

Karlos Guedes
Wed, 27 Nov 2019 15:17:17 GMT

Por isso mesmo, no que eu entendo, não deveríamos morrer. Vamos ao básico: a morte é a separação entre a alma e o corpo. E a relação entre eles é de forma e matéria. Enquanto a forma informar, o indivíduo subsiste. Os animas morrem porque a forma deles é material e, por isso, corrompe-se. Mas nos homens, a forma é espiritual e incorruptível. Qual a explicação para a separação (morte), a não ser uma intervenção divina (castigo)?

Carlos Ribeiro
Sun, 22 Dec 2019 21:07:31 GMT

Entendi; achei que vc se referisse apenas ao estado anterior à Queda. Eu entendo que a corruptibilidade da matéria cause a morte. O corpo se corrompe ao ponto de não mais ser informado pela alma. Mais ou menos como a presença substancial de nosso Senhor na Eucaristia: cessa quando o acidente do pão dissolve. E como os objetos bentos: deixam de ser bentos quando são destruídos (mas reconheço que nesse caso a bênção é acidental no objeto).

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